Pesquisar este blog

domingo, 8 de maio de 2011

Esperar e esperar


Existem momentos na vida que parecem valer por todos os outros. Nem todos os dias são de sol brilhante (para aqueles que gostam de sol brilhante), nem de garoa fina (para quem gosta de garoa fina). Há dias sem importância. Não acredito que todos os dias são dias especiais. Acho, sim, que todos tem a possibilidade de serem dias felizes ou desastrosos, mostrando-se dias memoráveis por boas ou más coisas. É improvável, ao meu ver, que se possa ser feliz acreditando que a vida inteira é feliz. Não! Existem dias que torcemos para que acabem logo! Outros em que vamos dormir do mesmo jeito que acordamos. Que nada saltou aos nossos olhos, fazendo a diferença, destacando-se do fundo enquanto figura. O dia simplesmente passou pela gente e não sentimos. Não porque ele não tenha passado, mas porque nós, que somos tempo, não o percebemos. A nossa temporalidade estacionou.

No entanto, também acredito ser verdade que existem dias em que estamos abertos aos detalhes. O brilho do cabelo dela, que nunca tínhamos reparado. As unhas bem desenhadas dele. A quantidade de folhas que aquela árvore perde, formando um tapete amarelado no chão sob ela. Aquele morro que, "possivelmente"  já está ali há muito tempo.
Esses dias ficam marcados na pele. Depois na memória. A minha funciona de maneira estranha. É visual, bem mais que em outras perspectivas perceptivas. Mas se vejo a cena de um filme em que o vento frio está roçando o rosto, eu me lembro perfeitamente do dia em que senti esse mesmo frio no meu rosto e quase posso sentir também minhas bochechas ficando mais rosadas, queimadas pela baixa temperatura.

Esses dias... Ah, nesses dias eu sou mais feliz! E eles fazem todos os outros em que tive que lavar a louça, que tomar banho, que cumprir minhas obrigações em detrimento dos prazeres, fazerem valer a espera!
Porque eu digo a vocês que eu espero. Nada pró-ativo da minha parte, mas sim, eu espero com ansiedade esses dias. Porque eu simplesmente não tenho controle sobre eles! São como cartas de amigos antigos! Você não pode fazer seus amigos que não vê há anos te escreverem, mas um dia eles resolvem escrever e isso nos deixa surpreendentemente felizes!! Pateticamente felizes!!

Juro que o máximo que eu faço é procurar fazer coisas gostosas durante a espera. Eu saio com os amigos, visito lugares que me agradam, me dou um sorvete de presente, escrevo a pessoas queridas, toco uma música nova no violão... E esses momentos vão preenchendo a minha espera. Longe de ser uma busca desesperada por uma felicidade completa e interminável, eles são meus parceiros do dia-a-dia. E eles também sabem que esperam os grandes momentos. Ora! Os fãs dos Rolling Stones podem se divertir infinitamente ao escutar o CD da banda, mas nada, NADA se compara ao show ao vivo! É isso que tenho feito.

Hoje escrevo. Nenhuma obra-prima, mas vou esperando o dia em que a inspiração me invadirá e eu escreverei algo que preste. Assisto TV e aguardo minha mãe no Skype para desejar-lhe um Feliz Dia das Mães. Mas aguardo aquele dia que ficará em minha memória como o dia em que "senti" diferente.
E ele ficará em uma parte de mim que guardo com muito carinho junto aos outros que compõe a vida.

Vai vida...


2 comentários:

Erick Kreps disse...

Carambolas! Como eu gostaria de comentar como sempre faço: em textos breves e resumidos; mas não consegui pensar em nada que fosse semelhante ou contrário, sequer associações livres. Não creio que seja ausência de criatividade. Afirmo que esse texto teve um efeito que chamo de "ausência de acrescentabilidade". Ou seja, não tem o que tirar nem por. Então "EURECA!" escreverei que gostaria de comentar e blá blá blá. Não sei sequer como elogiar. Apenas sinto na leitura, assimilação, acomodação, interpretação e tudo o mais -do que você modestamente diz não ser uma obra-prima- uma "ausência de acrescentabilidade". Apenas sinto...

Valéria Cardozo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.