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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011


Já reparou nas conchas? Eu as considero verdadeiros achados marítimos, ainda que possamos encontrá-las na maioria das praias que se visite no Brasil, principalmente as do Nordeste. O que mais me atrai nelas é o misto de beleza e simplicidade. É claro que elas existem em diversos formatos e até de variadas tonalidades, mas elas guardam essa peculiaridade em comum: são belíssimas peças forjadas na simplicidade da natureza, de teor tão cruel em tantas vezes.


Me lembrei das conchas pura e simplesmente porque acabo de assistir pela milhonésima vez o filme baseado no romance de Jane Austin, "Orgulho e Preconceito", desta vez com os comentários do diretor. No final das contas, fiquei com a mesma sensação que ele. Não com o mesmo gosto paternal de quem fala com orgulho de um filho, mas senti exatamente o que ele pretendeu, pontualmente, expressar.


O filme é extremamente simples - e que fique claro que está muito longe de ser simplório. As falas, as expressões faciaise corporais, os cenários. Tudo muito limpo, sequer parece ser um filme hollywoodiano. A autenticidade é sentida em cada cena, que explora os sentimentos dos personagens assim como os do expectador.

O ritmo das cenas longas e de mesmo plano, sem cortes nem montagens, favorecem a sensação de que nossas percepções estão intrinsecamente relacionadas à subjetividade da protagonista. Antes de assistir aos comentários do diretor não havia percebido, cognitivamente, que muitos dos ângulos são produtos dos olhos dela.  Não é difícil se colocar no lugar dela, a partir dessa visão.

Talvez uma das coisas que chamam mais atenção no filme é a fotografia. Embora as paisagens sejam lindas, é a luz que realmente me encanta. A cena em que Darcy e Lizzie se encontram no campo com os primeiros raios da manhã é a que possui a luz mais linda do filme. Como o próprio autor intitula: a manhã mágica. Pura sorte o sol nascer exatamente entre os dois atores... Pura sorte...

O que a luz não é capaz de fazer por uma cena! E não digo apenas das cenas dos filmes, mas das cenas que estão cravadas em nossas lembranças. Não sei você, mas eu presto muita atenção nas luzes do dia e elas dizem muito para mim. Ultimamente, tenho me ligado muito à chegada e à despedida do sol. Semelhante ao diretor, um amigo fotógrafo de uma amiga minha anuncia: "o crepúsculo é a hora mágica da fotografia". Segundo este íntimo desconhecido, todas as fotos ficam lindas sob esta luz. Todas as cenas. Todos os momentos. Todas as lembranças. E pronto, já devaguei demais sobre a luz, enquanto minha pretensão é falar sobre o filme.

A luz é um ponto forte, mas nada como a presença humana para dar vida a todas as cenas. As paisagens naturais são lindas, mas ficamos sempre com a esperança da presença humana, com a qual podemos nos identificar. (Sei que generalizei. Mania minha achar que as pessoas sentem como eu sempre.) As interpretações são fortes, desde o teor cômico até a perspectiva dramática da produção. A família Bennet, a aristocracia muito bem representada, os bailes, as regras, a ansiedade e a angústia de mãos dadas, mas principalmente a relação entre Elizabeth e Darcy.

Muitos olhares. Poucos toques. Uma dança. Nenhum beijo. De um lado ela, cheia de orgulho; do outro ele, impregnado de preconceito. Uma dupla que raramente se encontra gerando bons frutos, precisando ser superada para dar espaço a algo maior e melhor. Mas apenas quando nos tocamos a nós mesmos, bem no fundo e paramos para nos vermos tais quais somos, com todos os orgulhos, preconceitos, visões de mundo, é que torna-se possível enxergar ao outro. E que bom que isso é possível! À duras penas, é verdade, mas alcançável.

Aos que procuram desesperadamente o amor, cometendo todos os equívocos possíveis - como eu - sugiro que a primeira busca, ainda que dolorosa, seja a de nós mesmos. Só assim podemos fazer dessa aventura, uma epopéia, sim, mas simples e belíssima, assim como preconizava Jane Austin em seu romance. 

Talvez por isso me toque tanto este filme, que sou capaz de assistir inúmeras vezes e me encantar em todas elas. A simplicidade de um amor nem sempre muito tranquilo, mas que torna a existência mais bela. A simplicidade e a beleza de uma concha perdida na praia, que de repente, é descoberta por você, que pode passar por milhares delas, mas se abaixar para pegar aquela única que lhe chamou atenção entre centenas. 

P.S.: Poxa vida... Mais piegas, impossível, nesse Janeiro solitário. Mas foi inevitável. 

Aos que aguentaram todo esse açúcar até aqui, uma ótima noite.  


Um comentário:

mariagraciellemoc disse...

Olá,
Gostei muito do seu post. Assisti Orgulho e Preconceito (2005) na semana passada e estou viciada no filme. É a quarta vez que estou assistindo. Estava na net procurando material sobre o filme, e encontrei seu post. Realmente, o filme é maravilhoso. A fotografia é perfeita, uma das cenas que eu mais gosto é quando Lizzie, no alto de uma colina fica pensando, pensando... é linda a paisagem que vai sendo mostrada, a interação entre os protagonistas é ótima, é totalmente perceptível o interesse entre Lizzie e Darcy. As cenas que ele a pede em casamento, ficou tão natural, que até parecia realidade, dá até pra ficar sonhando com um amor assim.. rsrs. Imagine se os homens de hoje fizessem uma declaração como a de Darcy. Depois de ver o filme fiquei pensando nos costumes do século XIX, com uma baita vontade de ouvir música clássica, de ser como Elisabeth Bennet: alegre e decidida. Até achei que eu estava ficando "louca", mas depois eu vi que tem outros apaixonados pelo filme como eu... rsrsrs

bJOS.
Gracielle
Minas Gerais