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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Idiossincrasias


"Ora, você e' um idiota!"
"Eu sei, sou mesmo. E, na verdade, me orgulho disso."
Um diálogo meio estranho, mas na etimologia da palavra faz bastante sentido.
"Idiota" quer dizer "único naquele lugar".
Ser único é uma das coisas mais procuradas atualmente. Acho tão engraçado e curioso observar como as pessoas têm se preocupado em ser diferentes. É cada corte de cabelo esquisito (ou estiloso, como queira), são tatuagens e piercings em cada lugar "exótico", são atitudes incompreensíveis e tantas ideologias abraçadas simplesmente por irem de encontro com o resto da sociedade!
Eu então paro para analisar o porquê disso (quando se faz Psicologia e estuda Antropologia você aprende a olhar por outros ângulos e querer saber o porquê de tudo- como quando a gente tinha 6 anos.)
Na Idade Média, todos nasciam e morriam em uma classe social e era impossível alguém passar de vassalo a rei. No Renascimento, um leque de possibilidades foi aberto a frente das pessoas e elas nem sequer sabiam o que fazer com elas, não estavam acostumadas a poder escolher. Ao longo da história muita coisa foi descoberta e experimentada. Mas em geral, quase todos seguiam a mesma tendência (exceto os gênios, os revolucionários, os artistas, aqueles que foram vistos como loucos.)
Hoje, ainda existe o senso comum, como sempre. A eterna história dos "Maria vai com as outras". Só que percebo que de uns tempos pra cá a busca por ser único, diferente, querer ser chamado de excêntrico, de rebelde, tem excedido os parâmetros normais. E eu não culpo e nem me excluo da grande massa que busca uma individualidade. Eu também quero ser diferente! Também quero ser reconhecida como única! Porque ser único é ser especial...
Aprendi uma nova palavra há algumas semanas: idiossincrasia. Já conhecia? Eu não. Idiossincrasias são as características individuais, os detalhes que nos diferenciam um do outro.
Pois as idiossincrasias nunca estiveram tão evidentes!!
A faculdade é um bom lugar pra se reconhecer isso. É cada figura que a gente vê. Existem representantes de todas as tribos. Hippies, metaleiros, góticos, cults, intelectuais, poetas, músicos, patricinhas, playboys, e por aí segue uma variedade infindável...
Cada característica é muito interessante.
É aí que eu me perco... Eu não tenho estilo algum! Sou normal e isso hoje é desmoralizante.
"Como você se define?" Hã... Sei lá. Eu mesma? Isso lá é estilo?! Mas não me preocupo. Mais que as nossas diferentes caracteristicas físicas, o que conta mesmo são as suas idiossincrasias de pensar, de ver, de ouvir, de sentir. A maioria das pessoas se esqueceram que não é o que você veste que vai dizer quem é você (embora muitos acreditam na sua capa).
Ah! Sabe outra coisa interessante?? O ser humano tem uma capacidade enorme de criar, mas ultimamente ele tem estado tão distante das coisas importantes que utiliza o "Ctrl-C, Ctrl-V" pra tudo! Inclusive pra copiar as diferenças do outro. Não é engraçado?? Você quer usar um brinco azul em uma orelha e um vermelho, na outra, achando que ninguém será igual. Em alguns dias você já lançou uma moda e todos usam brincos de cores diferentes. Sua idiossincrasia já era... Você é igual a todos. Ou todos iguais a você.
Se você é desses que quer ser diferente de toda a massa populacional, seja pra chamar a atenção, pra se sentir especial ou pra deixar de ser invisível, não se ofenda se for chamado de idiota.
Porque você será então o "único naquele lugar"...

2 comentários:

Kreps disse...

Ah...Eu gosto do Ctrl C/Ctrl V. É útil. Apesar de usar também o Ctrl X, o Ctrl Z, o Ctrl B, o ....afs.
É bom saber que agora estão mostrando a etimologia na faculdade... A idiotice na verdade, apesar de sua origem com significado único, teve o seu sentido alterado e substituido por outra palavra, como o "estrangeiro, estranho". Para ver a diversão das palavras, é ver que a Idiossincracia (já conhecia apalavra, e me divertia falando ela. Acho que vc não se lembra, mas já falei ela muitas vezes...!!), A idiossincracia tornou o uso excesivo da palavra idiota e de outros sinônimos, e de outras palavras também, cair em uso comum, deixando de ser a parte metafrástica da palavra. Ou seja, ela não é mais "única". E também não perdeu o significado, já que instintivamente usamos, e percebivelmente ou não, o significado original não se alterou. Vejamos algumas palavras que foram alteradas por nossa lingua portugesa, por alguem que ouviu, ou mesmo, criou a palavra, e ela deixou de ser idiossincrássica: a palavra CARALHO; Na verdade é nada mais nada menos do que o domo redondo que fica na ponta do mastro dos navios veleiros, onde geralmente ficava um marujo que era castigado. Ou seja, é a parte mais alta, é a "cabeça do pau"...Será? acho que não, já que os usos são diferentes, e para diferentes também foram criados diferentes nomes. Outra, também pejorativa, é o BOCETA, que na verdade é uma caixinha pequena e redonda onde se guarda moedas. Parecido... Nem um pouco.
Talvez a criatividade de uma pessoa desmonta a originalidade e a idiossincracia de uma palavra. E essa criatividade, na hora foi idiossincrática. LEgal né?
Mas, não existe o normal, como você pensa, por que o mesmo questionamento já foi levantado por outros, como eu por exemplo. E eu adoro o jogo de palavras, por que a ignorância, que também perdeu o sentido com o uso erroneo, das outras pessoas também ajuda a idiossincracia a se destornar, assim como também ajuda a criar outras.
O universo é feito de ciclos, o mundo gira. Se uma idiossincracia morre, outra nasce.
Non Ecziste pessoas parecidas, mesmo que ela copeie um estilo. O que importa não é o que está por fora, e sim o que ela pode descobrir por dentro. Não vale a pena achar que é diferente, porque não tem como negar isso. Não há ser igual, ou parecido. E sim maneiras de entender e pensar, de achar lógica de uma mesma maneira. E ainda assim, todos somos uma MEtamorfose Ambulante.
Carpe Diem!!

Kristtéia disse...

Parabéns Mi
Gosto de como escreve, de como vê as coisas e de como se expressa... Para isso você é única ;)

Também procuro manter minhas idiossincrasias, apesar de quando eu as vejo plagiadas me da um nó na garganta, então eu as renovo, mas chega um momento que cansa de “bolar” uma excentricidade, só assim procuro tentar ser mais uma cabeça na manada, a fim de me esquecer desta vontade de ser diferente, especial. (Não que eu seja tão diferente assim)
Mas quando estou quase pronta para ser "normal" me pego fazendo, pensando e analisando coisas, que tenho quase certeza que quase ninguém perderia seu tempo fazendo.
Esse espírito idiossincrático seria inerente ao homem atual, principalmente nesses últimos tempos em que a massa tenta desvencilhar-se daquilo que esta posto como padrão, e o que é mais "ENGRAÇADO" é que hoje, procuramos ser diferentes copiando... Os EMOS, por exemplo, são clones, no entanto acreditam ser exclusivos. A importância esta no ser diferente dos considerados “normais”, pelo menos no estilo de se vestir, como eu e você, e não entre aqueles que somam à sua tribo.
Acredito eu, que essa ânsia, essa angustia, pode se assim dizer, é fruto da modernidade que coloca os valores humanos subjugados por coisas efêmeras e desimportante. Toda e qualquer especialização seria pouca diante de um mercado de trabalho que exige tanto e ao mesmo tempo tão competitivo, não importa se você é funcionário antigo dessa ou daquela empresa, não importa se você criou vínculos com o patrão, se aparecer alguém com um currículo bem mais rico que o seu, exigindo um salário menor, o patrão não hesitará em contrata-lo em seu lugar.
Vamos definir então essa necessidade de diferenciar-se como uma tentativa irrefutável de preencher esse vazio herdado pelo sistema. E ficou tão automático que quase não percebemos o quanto fazemos isso, é um desejo na maioria das vezes mais que consciente passando para o nosso subconsciente o que o tornaria mais forte que os tais moralismos podem julgar.